O ponto de partidaPor que quase todo escritório começa pelo fim
O documento não é o problema. O problema é ele ser a primeira coisa a acontecer.
A cena se repete há anos. Uma pessoa chega ao escritório e diz: quero fazer meu testamento. O escritório redige o testamento. O documento sai tecnicamente correto, assinado, registrado, guardado. E, anos depois, a família briga assim mesmo.
Um testamento, uma escritura de doação, uma holding familiar, uma procuração: tudo isso são instrumentos. Instrumento serve a uma decisão. E a decisão só é boa quando vem de um entendimento anterior: o que essa família realmente tem, o que essa família realmente teme, e o que essa pessoa quer que fique depois dela.
Quando o instrumento vem antes do entendimento, acontece o previsível. A estrutura protege o patrimônio e não protege a relação. O papel está certo e a mesa de domingo está vazia.
Existe também uma razão prática para essa inversão. Redigir uma peça é rápido, cabe em uma reunião e tem começo, meio e fim. Escutar uma família inteira é lento, não cabe em uma reunião e não tem fim claro. O caminho curto é mais confortável para o escritório. O caminho longo é o que costuma servir à pessoa.
O método P.A.Z. inverte a ordem de propósito. Primeiro medir a exposição. Depois alinhar as pessoas. Depois cuidar ao longo do tempo. A peça jurídica entra quando já se sabe exatamente o que ela precisa fazer, e às vezes a conclusão é que nenhum documento novo é necessário agora.