A origemO incômodo que virou método
O trabalho não começou com uma ideia de negócio. Começou com uma cena que se repetia.
Existe uma cena que se repete em escritórios de advocacia no Brasil inteiro. A família chega depois. Depois do falecimento, depois da briga entre irmãos, depois do imóvel bloqueado, depois de uma assinatura que ninguém leu com calma. Quando chega nesse ponto, boa parte do que o advogado consegue fazer é administrar prejuízo.
Tyago Barbosa passou os primeiros anos de carreira observando essa cena de perto, em processos de família e em questões de patrimônio. E percebeu uma coisa incômoda: quase nada daquilo era inevitável. Eram decisões que ninguém tomou, conversas que ninguém puxou e documentos que ninguém explicou, tudo isso cobrando a conta anos mais tarde.
A raiz do problema também ficou clara. O idoso brasileiro raramente tem acesso a planejamento jurídico de qualidade. Planejamento sucessório, para dizer em português simples, é o conjunto de decisões tomadas em vida sobre o que acontece com o patrimônio, com o cuidado e com a família depois. E a falta de acesso a isso não vem de falta de vontade. A pessoa quer organizar, quer poupar os filhos de um problema, quer deixar tudo claro.
O que falta é outra coisa. Falta informação em linguagem que se entenda na primeira leitura. Falta acesso a um profissional disposto a sentar, escutar e explicar sem pressa. E falta, sobretudo, alguém que fale a língua dela, sem termos difíceis e sem tratar a pessoa como se ela não fosse capaz de decidir a própria vida.
O tamanho disso não é pequeno. São cerca de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais hoje. Há ainda uma projeção do IBGE que aponta algo próximo de 67 milhões até 2050, e vale dizer com todas as letras que projeção é estimativa sobre o futuro, não retrato do presente. Mesmo assim, a direção é clara: cresce todo ano o número de famílias que precisará decidir sobre patrimônio, cuidado e sucessão.
Foi desse incômodo que nasceu o método.
Dado demográfico: IBGE. A cifra de 2050 é projeção, não medição.